Homens erguem espadas
Mulheres carregam a cruz
Anjos andrógenos
sem orgulho
nem glória
choram torrentes
Cada qual
com sua dor e culpa
girando os
ponteiros da mesma
roda.

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Estou terminando de digitar e criando coragem para postar meus poemas, os de autoria Renata Bartilotti....
Dá um friozinho na barriga.
Em breve coloco aqui!

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"Demora tanto, demora tanto pra crescer
Pra depois de uma hora pra outra morrer
Tem que mamar, tem que comer e beber
Deixar vir e ir sofrimento e prazer
Não há o que lamentar
Quando chega o fim do dia
Uma cara que anda tem que chegar em algum lugar
Um cara que trabalha trabalha trabalha deve se cansar
O cara estuda tanto e ainda tem tanto pra aprender
Passa o tempo e fica mais fácil esquecer
Não há o que lamentar
Quando chega o fim do dia
Não há o que lamentar
Quando chega o fim do dia
Se despede da sua dor
Diz adeus à sua alegria
Não há o que lamentar
Quando chega o fim do dia"

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Eu gostava de estar rica de alguma coisa.
Já no final da infância, tive um alumbramento,
fiquei tomada de espanto:
eu era a pessoa mais feliz do mundo!
Um mistério soberbo invadia meus dias
e, por ser a agraciada, em algum momento
me convocariam a um ato grandioso:
ou trabalhar mais do que todos ou morrer de repente.
No cume da adolescência, meu espanto foi outro,
mais pesaroso e de igual comoção:
eu era a mais sofredora dos mortais!
O que me esperava, o prometido, estava muito distante:
só os anjos me amavam, mas não podiam me escutar.
Com os anos, fui me desabitando de felicidade
e sofrimento e ocupando do trânsito incansável
entre o de dentro e o de fora,
da sagração rotineira das coisas.
Hoje estou rica de mundos.
Porque estou aqui e me transporto.
Tudo presente e espera.
De Raiça Bomfim

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